Collectión Abelló

Em 21/2/15, no CentroCentro Cibeles, em Madrid,

verdadeira obra de arte arquitetônica,

a exposição de 160 obras do acervo particular do casal Juan Abelló e Anna Gamazo.

A coleção,

sem limitar-se a períodos históricos, escolas ou gêneros, apresenta um panorama que vai dos séculos XIV- XV,

com Joos van Cleve

Descida da cruz com doadores

 Juan de Flandes,

Crucificação, Juan de Flandes

Batismo de Cristo, Juan de Flandes

Bosch,

A tentação de Santo Antônio, Bosch

Jacomart,

A Virgem e o menino Jesus entronizados com anjos, Jacomart

Alonso Berruguete

A Virgem do Leite, Berruguete

passando pelos séculos XVI-XVII,

Salvador do Mundo entre S. Pedro e S. João, Fernando de la Almedina

O estigma de São Francisco, El Greco

Olfato, José Ribera

(Gostei muito desse quadro do Ribera com a ironia de seu duplo corte barroco. Metonímico, o odor está na cebola ou no maltrapilho?),

XVII-XVIII

Grande Canal de Veneza, Canaletto

A família da Virgem, Zurbarán

Ficou-me a impressão de que o carro-chefe da coleção está na arte sacra, acervo digno de figurar nas paredes da Gemaldegalerie, de Berlim,

 cuja visita, aliás, é imperdível, sobretudo para quem se amarra em old master paintings (assim reza o catálogo) do século XIII ao XVIII:

Mais previsível, na Collección Abelló, é o século XIX,

O violoncelista, Modigliani

Depois do banho, Degas

invadindo o século XX com Juan Gris,

O caso

Picasso,

Mulher sentada com chapéu

Nu sentado

Francis Bacon,

Triptico

e (pasmem) até Rothko:

Negro, vermelho, negro

(A propósito de Rothko ver

http://www.pinceladas-fms.com.br/ensaio.htm)

Sentidos em gozo de merecidas férias, sem comentário nenhum a pontuar as telas, deixo-os às voltas

 

com esse panorama da pintura ocidental, usufruindo das metonímicas companhias de Klimt (Três mulheres), Salvador Dali (O pai do artista e sua irmã)

e Chagal, cujo nome do quadro, não tendo anotado, esqueci:

Outra fuga para o Egito, a Collección Abelló ─ garanto-lhes ─ é o refúgio ideal para qualquer sensibilidade ameaçada pela realidade-herodes que nos desterra. Ainda mais levando em conta o oásis do menu do dia (com entrada, prato principal, sobremesa), a 15 euros por pessoa quando lá estivemos Flavia e eu, servido em

.

Afinal, meu caro Camilo Castelo Branco, que seriam do coração e cabeça, esses orgulhos poéticos de nossa humanidade, sem a boa e prosaica digestão de um estômago apaziguado?