Bravooo! Bravooo!

Diante de meus olhos, Degas,

eram tuas bailarinas que, emprestadas ao Balé Kirov do Teatro Mariinsky,

 Duas bailarinas no palco, 1874, Degas

singravam O Lago dos Cisnes.

A Estrela, 1877, Degas

         Era 28 de agosto de 2011, no Municipal de São Paulo. Nesse futuro do passado, a coreografia de teu pincel, Degas, foi ovacionada de pé.

Encerramento de um arabesco, 1880, Degas.

 

A sede e o pote

Noutra iluminura, ouvi do aguadeiro de Velázquez (múmuro arroio a matar a sede da curiosidade adolescente)

 

a seguinte lição:

            --- Amor, meu rapaz, é cântaro cheio de mútua sede.

            Já noutra fonte, a de Ingres,

ouço o despejo de verdade nua e crua:

            --- Tédio, no amor, é cântaro que se esvazia. Já cheio da mútua sede.

Anthony Green, The honeymoon – Hotel Florida, Hiroshima City  Museum of Contemporary Art.

 

Só procurando saber, Duranty

Retrato de Edmond Duranty, Degas, 1879.

Livro esgotado é aquele que jaz sobre a mesa, exaurido por tanta leitura?

 

Vigília

Manaò tupapaú (The spirit of death keeps watch),Paul Gauguin, 1892

       Tehura chama-se a moça... Não fosse ela do Tahiti, diria tratar-se de  afro(disíaca)...

Mas vamos ao que nos trouxe aqui. Afinal, boa, a selvagem franqueia a entrada em sua intimidade, sem a desfaçatez da vergonha. 

A tela mostra Tehura insone, apreensiva e temerosa, à espera do amante (Gauguin), que, sabe-se lá por quê, demora para vir preencher-lhe o corpo e o leito.

Não obstante a convidativa nudez de Tehura, nosso olhar é atraído para o Encapuzado que, a um canto, espreita.

À espera de quê? Da morte do amor que se anuncia na demorada ausência do amante?

 

Santa inocência

Mmaybe, Roy Lichtenstein, 1965.

Ah se ela soubesse o que de fato o prende no estúdio...

Vênus de Urbino, Tiziano, 1538.