Giovanni Antonio Canal -  Canalleto

*Veneza, 18/10/1697 - † Veneza, primavera de 1768

Gosto de Canalleto por dois motivos.

Primeiro, porque sendo um vedutisti (ou seja, pintor de paisagens ou vistas), pintou, — “capricho” de suas luzes e cores —, postais de Veneza. Vamos lá: pasme diante da Praça de São Marcos ou navegue pelo Canal Grande em direção à bacia de São Marcos. Anônimo espectador na sacada do palácio do Doge, testemunhe a chegada do embaixador francês. (Como é o nome dele? Diante desse teatral e carnavalesco espetáculo importa saber o nome do distinto, cujo jeito e feição, aliás, mal distinguimos daqui?) Veja-se você bem ali, no camarote VIP do bucentauro diante do palácio ducal. (Aqui entre nós: aquela mascarada ali te confundiu com o priápico Casanova. Vai fundo, cara. Só vê antes se não é nenhum traveco.) Persuasivo agente de turismo, ei-lo a convencer-nos de que você pode ir a Roma e não ver o Papa. Mas não pode ir à Itália sem ver e degustar Veneza.

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Segundo motivo por que gosto de Canalleto: porque, iniciado pelo pai nas artes cenográficas, suas paisagens venezianas têm vida... humana. A multidão que ele apinha no espaço de praças e canais está a exercer o papel social nosso de cada dia: personas. A alma carnavalesca de Veneza, à margem das águas que vão rolar ou a bordo das gôndolas. Sobretudo a bordo e no embalo (de sábado à noite?) do bucentauro, que, shakespeariano sonho de uma noite de verão, vai celebrar as núpcias do Doge com as águas amnióticas do mar . Esperemos que o Doge não seja outro mouro de Veneza, ciumento Otelo a cair de pau nas águas de Desdêmona.

Uma commedia dell’arte as vistas de Veneza na minha óptica do Canalleto.