A coroação do enólogo

velazquez_bebados.jpg (156787 bytes)

Revejo-me ali na tela, de chapéu, malga de vinho à mão, sorriso pícaro a fitar você que me contempla.

Caco cheio para compensar o vazio da existência, celebro minha (nossa?) irmandade com os deuses carnavalescos do Olimpo --- aquele parentesco consagrado por Velazquez.

Enfim, uma farra. Coisa de homens, clube do Bolinha. (O Baco, que ali está em sua androgenia, aqui entre nós, é michê daquele outro rapazote de tronco desnudo.)

Pois bem. Ei-lo, nosso Baco, coroando, com pâmpanos, o triunfo do Enólogo. Que, ao provar uma somítica gota daquele vinho que está em minha malga, retratou-lhe a alma (do vinho e não de Baco, entenda-se), ao proclamar, se minha já avinhada memória não falha:

--- Cor intensa e taninos potentes. Boca jovem, aveludado. Memória de terroir que, frutado, sabe a frutos vermelhos. Pouca resistência dos taninos no retro-sabor a madeiras nobres dos tonéis. Enfim, com grande caráter e intenso bouquet.

Evoé, Baco!

In vino veritas?