De pintura nada entendo. Só gosto, aprecio.

 

(Ora, vejam lá se isso é modo de abrir um livro sobre pintura e pintores. Nada mais antimerchandising, antimarketing do que um escriba declarar sua ignorância sobre o que vai escrever. Afinal, regra primeira e fundamental em qualquer texto com ares acadêmicos é o autor declarar-se um especialista: – ego constipado a liberar ruidosamente os gases de seu currículo. Não importa se depois, à medida que lhe vamos lendo o texto, tenhamos que limpar as páginas das caspas intelectuais que ele vai depositando enquanto penteia descabelamento do cérebro.)

Repito. De pintura nada entendo. Só gosto, aprecio.

Vou a museus, exposições, leio livros e catálogos para (digo, brincando a sério) impregnar meus olhos de cromatismo, ângulos, visões. Um modo de ver, por outros olhos, a realidade, desvelando-a.

Aqui entre nós, você que está folheando este belo volume que tem às mãos: – Minha ignorância pictórica pode ser, neste livro, um olhar cirúrgico: operação de catarata.

Pinceladas sobre a pintura alheia é meu modo de enxergar, malgrado as lentes que me corrigem a miopia e o astigmatismo, a alma dos pintores. Talvez com suas auras walter-benjaminianas decaídas.

Ah, esquecia-me dizer. Estas Pinceladas anárquicas obedecem a ordem nenhuma. Nem cronológica, nem estilística. Vão ao sabor de minha re-visão de livros, catálogos, museus, exposições: recreio de happy-hour, regado a chope, uísque, caipirinha, enfim o que me cai às mãos, findas as oito horas cotidianas de minha (nossa?) escravidão burguesa.

 

 

Sobre o autor:

Francisco Maciel Silveira

Professor Titular de Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde obteve os títulos de Mestre, Doutor e Livre-Docente, com trabalhos em torno da oratória sagrada dos Padres António Vieira, Manuel Bernardes e da comediografia de António José da Silva, o “Judeu”.

Além de crítico literário com ensaios e resenhas publicados em periódicos do Brasil e do Exterior, é ensaísta, poeta e ficcionista agraciado com mais de vinte prêmios literários nos âmbitos da ficção, poesia e ensaio.

Contatos? Escreva para pinceladas@bol.com.br

Do Autor

Ficção e Poesia: A caixa de Pandora: aquela que nos coube, conto, 1996; Macho e fêmea os criou, segundo a paixão...,poemas, 1983; Esfinges, contos, 1978.

Didáticos: ; Aprenda a escrever, 1985, 2 ed. 1989; Português para o segundo grau, 5 ed. 1988.

Ensaios: Canteiro de Obras - Escritos sobre a Literatura Portuguesa, 2011 (Editora Todas as Musas); Prefácio para Tu só, tu, Puro Amor, de Machado de Assis, 2011 (Editora Todas as Musas),  Saramago: Eu-próprio, o Outro? , 2007 (Universidade de Aveiro); Concerto barroco às óperas do Judeu, 1992; Poesia clássica, 1988; Literatura barroca, 1987; Padre Manuel Bernardes - Textos doutrinais, 1981

 Com o objetivo de tornar atraente o ensino-aprendizagem da Literatura, vem ultimamente desenvolvendo um ensaísmo ficcional de que são exemplos Palimpsestos -- uma história intertextual da Literatura Portuguesa, 1997, 2 ed. 2008; Fernando Pessoa(s) de um drama, 1999; Ó Luís, vais de Camões?, 2008, 2 ed. 2008; Gil, o curinga de reis Vicente (no prelo).

                            

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