1. Lições de Fisiognomonia, III

Albrecht Durer (*Nuremberg, 1471– † Nuremberg, 1528) tinha-se em tão alta conta que atribuía à sua pintura a responsabilidade de conduzir os homens ao autoconhecimento. Daí os tantos retratos e autorretratos que pintou, objetivando dar-nos e dar-se a conhecer. Eis como se nos deu a conhecer.

 Autorretrato com gola de pele, Durer, 1500.

Ora, está na cara que Cristo foi feito à sua imagem e semelhança.

 

2. Ateliês

Telas que retratam ateliês me levam a pensar numa outra espécie de autorretrato:  o da própria  Arte.

 

  O Ateliê no Sótão, Matisse, 1903.

  Ateliê vermelho, Matisse, 1911.

  O Ateliê de la Californie,  Picasso, 1956.

 

Essas telas de ateliês parecem-me o espelho em que a tekne do artista, narcísica, se abisma na contemplação apaixonada de si mesma.

  Estúdio do Artista – com Modelo, Roy Lichtenstein, 1974.

Não é o que nos dizem aquela mão e o lápis?

Bem ali, ó umbigo do mundo, no canto inferior esquerdo da tela que se espelha como modelo...