O gondoleiro Flavio Botton

Quem vem acompanhando esses beaux délires de minhas pinceladas sobre a pintura alheia, deve ter lido Auto-retrato de um texto, I.

Segredo de confessionário (só agora revelado), ali estava o epitáfio de um projeto que me pareceu então natimorto. Comédia natural de toda arte, ainda sobrepus ao aludido epitáfio uma coroa de flores depositada em memória de Giovanni Antonio Canal -- Canalleto.

Inconscientemente um pai desnaturado (só agora o percebo) , deitava ao fundo lodo dos canais de Veneza minha cria.

Roda da Vida chama-se ainda esse abandono covarde do recém-nascido às portas ou águas do deus-dará. Ainda bem que a Roda da Vida pode ser  circense carrossel de eterno retorno. Capaz de transformar essas Pinceladas sobre a pintura alheia  em outro Moisés salvo do afogamento.

Não fosse o gondoleiro Flavio Botton, a navegar nos canais amnióticos das águas passadas, minha cria teria naufragado em águas de bacalhau.

Salvou-a.  Fê-la outro Moisés renascido das águas em berço de vime esplêndido.

 

moises_frederik.jpg (210062 bytes)

 

Baste isso. Sem mais pormenores (ou pormaiores) melodramáticos da enxurrada de lágrimas que, ah!, caros leitores,  Fernanda Verdasca Botton (a amada e  cara-metade do gondoleiro Flavio, além de Profa. Dra. pela USP) haveria de, fria e académicamente, explicar.

(Para tanto, ver: VERDASCA, Fernanda Martins. Fígados de Tigre: em busca da origem e genealogia do melodrama.  São Paulo, Tese de Mestrado apresentada no curso de Letras da Universidade de São Paulo, 2002).

 

Registrado fique, pois, que o gondoleiro Flavio Botton repôs à roda da vida, sã, salva e seca, minha cria. 

Ela, também aquí,  um divisor de águas.

Como todo Moisés.

      

 

Gondoleiro ou Homem-Aranha na  Web?

 

Gondoleiro a navegar venezianas águas aminióticas de minha reminiscência pictórica ou spider-man da web global?

Decida o leitor, blogueiro ou twitteiro esperto e experto nas comunicações, em que vias ou canais navega Flavio Botton.