Edward Hopper, 2

(*Nyack, NY, 22/7/1882– † Manhattan, NY, 15/5/1967)

Não viam a hora de chegar o dia de nosso reencontro? I hope (Hopper?) so.

Continuemos, então, nosso passeio pela exposição Modern Life: Edward Hopper and his time, no espaço que o tendo abrigado desde o início de sua carreira seja natural detenha importante acervo de sua obra ─ o Whitney Museum of American Art.

(945 Madison Avenue at 75th Street. Visiting NY, my fellow, just drop in there.)

 

5. Waiting for Godot

A humanidade de Hopper

    Cape Cod morning, 1950        Morning sun, 1952

está sempre a vislumbrar não sei o quê posto a distância ou além de si mesmos.

Expectadores e expectantes... (Ambos com x, Revisão, pois aí o X da questão...)  Expectadores e expectantes, seus homens e mulheres

 

   People in the sun, 1960       Sunday, 1926

parecem esperar  Godot ao fim de uma existência que  só oferece o vazio e rumo nenhum (conforme aponta o mapa consultado por aquele senhor), não importa a chatice  da patroa

    Four Lane road, 1956

a rezingar que nada passa nessa vida. Afinal, qual a necessidade, Harry, (what’s the use, Harry) de um posto de gasolina (of a gas station) no meio do nada, at the middle of nowhere?

            É a resposta que esse outro conspícuo senhor aguarda lhe segrede a bomba.

    Gas, 1940

Seu combustível, irônico Mobilgas, só dá asas mesmo ao Pégaso cujo voo aparece imobilizado na placa --- defraudada fuga e precipício do Ícaro que somos.

 

 

6. Blues at  night

I’ve got a little story you ought to know…

Lugar-comum dizer (está na cara) que nada mais triste que um palhaço --- essa decantada alegria de nossa infância. Mais triste ainda, quando ele transforma a vida em picadeiro e senta-se à nossa mesa com a alma imaculadamente vestida, tendo ao fundo o azul melancólico da noite.

    Soir Bleu, 1914

Clownesco o melodrama circense da vida. Talvez porque um dramalhão, ei-lo ainda capaz de atrair nossa atenção. Que ou se dá ares de importância (toda lambuzada de ruge e batom) ou se põe a fingir o espanto desdenhoso dum requinte e bom gosto fantasiados à soirée ou à black-tie.

I’m  kind of a  poet and  I’ve a lot of things I wanna say...

E a esse dramalhão circense só lhe damos ouvidos para juntos comungarmos da vulgar solidão que, de boina e cigarro boêmios, nos faz companhia e nos iguala. (Veem as dragonas desse almirante --- ou será general-da-banda? Estão aí para espanar dos ombros as caspas de nossos descabelamentos sentimentais.)

Sendo assim, experimentem seguir por 7 e 8, ouvindo Frank Sinatra cantar One for my baby (and one more for the road)

 

 

7. By the way, by ourselves

Simplesmente de passagem distraída por essa vida, a bordo de um comboio chamado solidão,

    Compartment C, Car 193, 1938        Chair Car, 1965

 cabe-nos apenas, como morada transeunte, o espaço vazio de nós mesmos. Seja ele habitado pela depressão, de que se procura escapar na vida vicária e rocambolesca de um livro,

    Hotel Room, 1931

seja quando, revestidos de acesa chama, procuramos lobrigar, nas trevas da esperança, um horizonte qualquer:

    Hotel window, 1956

 

 

8.      Unhappy hours

(I know the routine...)

Seja à luz solar de uma cafeteria que expõe um homem e uma mulher jejunos de tudo,

    Sunlight in a cafeteria, 1958

seja às sombras do bar-doce-bar, onde, noitibós

(…it’s a quarter to three...),

vivemos ombreados na esquina vazia e insone da solidão, compartilhada por dois,  três,  quatro...

    Nighthawks, 1942

--- onde quer que estejamos, dia ou noite, só se ouve a mudez de um diálogo

(… please listen to me till it’s all talked away…)

cuja incomunicabilidade

(… I know, Joe, you’re getting anxious to close...)

se espelha no silêncio alheado do outro. Que, tal qual inconveniente gêmeo ou alter ego, reflete nossa alma desinteressadamente de costas a tudo:

    Chop Suey, 1929

Simples pedaços de carne nesse chop suey que é a vida em tua tela, que doce esperança de felicidade, Hopper, há de nos reservar o biscoito da sorte?