Ernst Ludwig Kirchner

(* 06/5/1880 – †  15/6/1938)

 

1.      Cartaz

Em 2006, o grupo TAPA, ao encenar Camaradagem, de August Strindberg (setembro 12, a estreia), pôs, como cartaz para divulgação da peça, um detalhe da tela Mulher na Rua (1915), de Ernst Kirchner.

No mesmo 2006, em novembro, comprei na Fnac (do Chiado, Lisboa), pela bagatela de sete euros, um livro com a obra de Kirchner. Li-o, sublinhando devidamente, demorando-me em telas cuja oculta grafia não conseguia decifrar. Talvez por isso deixei que a obra de Kirchner, aninhada ao abrigo do sossego, adormecesse em meu inconsciente.

  (Rapariga sob guarda-sol  japonês, 1909)

Longos cinco anos, e eis que, de repente, o tácito ou inefável de seus quadros, como um demônio súcubo,

(Nu reclinado com cachimbo, 1909/10)

começa a povoar meu sonho, exigindo o despertar e prontidão de um taquígrafo que venha psicografar-lhe as mensagens que me surgem primeiro, qual Pégaso circence, no coice de George Seurat.

(Cavaleira de circo, 1912)

      

  

          2. Artes do ofício

A cavalo de Seurat, a lição do malabarismo recriativo. O estudo e cópia dos modelos é clássica lição para quem queira aprender as artes do ofício.

Nesse empenho, Kirchner andou em boa companhia.  Sabia que a cozinha da arte nutre-se da receita de Lavoisier, segundo a qual, no lixo da demasia, nada se perde, assim como nada se cria. Tudo, ao fim, se transforma. E se recria. Que o digam os diálogos sejam intertextuais ou intersemióticos.

 

     (Kirchner, Banhistas numa sala, 1909/20)     (Picasso, Lês demoiselles d’Avignon, 1907)

 

(Kirchner, Artista, Marcela, 1910)     (Max Pechstein, Rapariga em sofá verde com gato, 1910)

       

Kirchner, Cinco banhistas perto de um lago, 1911     (Cézanne, Banhistas, 1895-1904)

 

(Kirchner, Rua, 1908-1919)     (Munch, Karl Johan ao anoitecer, 1892)

 

Kirchner espelhou e espelhou-se nas fontes dos bons modelos. Afinal, que espelho não seduz Narciso, esse protótipo mítico do voyeur que, apaixonado pela nudez da própria alma, vive furtivamente a espiá-la.

(Nu visto de costas com espelho e homem, 1912)

 

TO BE CONTINUE ON  22 AUGUST

DO NOT MISS