Gustav Klimt

(*14/07/1862, Baumgarten, Áustria - † 06/02/1918, Viena)

Cara, esse tal de Klimt foi estranho, muito estranho. Caso super, megainteressante. Foi menino de ouro da abonada burguesia de Viena,

e foi, vê se pode, amigo de Egon Schiele, um cara também muito estranho, meu, tipo assim doidão,

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que, além de pintar o distinto aí assim com ares celestiais em sua túnica, às voltas com manjubinhas simbólicas do Cristianismo,

Gustav Klimt em sua túnica azul, Egon Schiele

ainda considerava o Klimt ali como sua sombra,

Os eremitas: Egon Schiele e Klimt, Egon Schiele

vendo os dois, ambos chegados a uma esbórnia, como aqueles tipos (ora, me poupe) que abandonam a sociedade para praticar a meditação, abstinência (inclusive aquela) e ficarem puros, longe da perdição e do pecado. Ora, quem não sabe o que é tentação, perdição e pecado.

Serpentes aquáticas II, Klimt

 Isso mesmo. Tudo que dá água na boca, é bom e dá prazer. Ainda mais quando a serpente é um mulheraço.

Verdade nua e crua pra se ver de lupa?

Nuda vertitas, Klimt

Conto como me venderam o peixe. Dizem que foi um pagão nos prazeres da vida.

 

O teatro em Taormina, Klimt (afresco no Burgtheater)

Dizem que foi um glutão, esse Klimt.

A esperança I, Klimt

Nem bem esfriou na cova, catorze (dá pra acreditar?) se apresentaram como filhos naturais dos lençóis (lençóis de linho, perfumadinhos, eram donas de fino trato) que andou frequentando. Afinal, a esperança dos deserdados, nessa árvore da vida,

 

Árvore da Vida, Klimt

é a última que morre, não é o que se diz por aí?

Amorudo, femeeiro (li essas palavras, achei bonitas, mais chics que dizer mulherengo), foi, no fundo, um Don Juan que não ama mulher nenhuma. É, sabe aquele tipo que se beija, boca a boca no espelho, que só gosta mesmo de si mesmo? Não se engane, cara, com aquele beijo que ficou famoso e corre mundo como imagem do amor.

O Beijo, Klimt

Beijo forçado, mais parece véspera de uma pegada na força e marra. Dê um look atento. Pra começar, ela está de joelhos. Adorando o machão? Que agarra a cabeça dela, forçando um beijo que ela não quer dar. Ô meu, só cego não vê que ela desvia a boca e tenta se livrar da mão que força o beijo. 


 

Nada dessa coisa Romeu e Julieta, açucarada, melosa, veneno de matar diabético. 

Morte de Romeu e Julieta, Klimt, (afresco no Burgthetaer)

 Vamos combinar? Caras tipo assim D. Juan, espada insaciável sempre em riste, lembram aquele deus de nome Júpiter que, dizem, traçava todas. Mais que potente, quer ser onipotente. Mas desconfia, cara, de quem faz muita propaganda do taco. Exemplo? Veja uma tal de Danae, ninfa que se conta o Júpiter-D. Juan andou pegando. Mas como foi a pegada? Disfarçada em chuva. Coisa assim bem mole. Tanto que, olha bem,

Danae, Klimt

o prazer dela, solitário, está  nos dedos da mão esquerda, metidos onde?, entre as pernas. Quer dizer, o espada compareceu e necas. Jezebel, a mina com quem estou ficando faz uma data, vê profundidades no quadro. Diz que ele retratou bem a emprenhação da moça fazendo com que ela ficasse assim aninhada como se fosse bebê lá dentro da barriga da mãe. Em posição fetal, ela me disse. O peito à mostra já falando das mamadas futuras do rebento.

Mas minha Jezebel também me diz que o distinto aí foi um mané. No fundo com medo de mulher, de relação, assim como se diz, estável, duradoura. A cunhadinha, Emilie Flogue,

não me deixa mentir. Ele ficou, ficou, braços cruzados, descansadão, e nunca casou.

Por quê?

Porque via nas mulheres uma ameaça fatal.

Olha só pra elas.

Elas, sim, de espada e lança em riste. Poderosas.

Palas Atena, Klimt 

Dominadoras.

Judith I, Klimt

Feiticeiras broxando cobras.

Medicina, Klimt

Olha só o espasmo do gozo sentido ao castrar a cabeça do Holofernes,

Judith II, Klimt

que ─ diz minha Jezebel ─ não passa de um disfarce da cabeça dele, do Klimt. (Ah, minha Jezebel é evangélica, tem suas leituras da Bíblia, por isso sabe dessas coisas.)

É por acaso que nesse quadro aí embaixo 

O friso Beethoven, Klimt

as mulheres estejam identificadas com as forças do mal? São a Luxúria, a Voluptuosidade, a Intemperança

─ garante minha Jezebel. E completa:

─ Elas são ainda a Doença, a Loucura e a Morte: 

. 

Todas filhas desse Macacão, vulgo Tifeu, que, está na cara, representa os pecados e doenças da carne fraca. 


 

(Naquele tempo não tinha Aids. Mas a sífilis, meu, era do cacete, matava a pau.)

Não sei se o distinto aí sabe. Se não, saiba que a cunhadinha Emilie Flogue tinha uma butique, com freguesas tudo da alta. Tanto tempo de olho na butique dela, não é que o cara desenhava modelitos, um desbunde de fantasia e luxo da Sapucaí, pra vender.

Retrato de Adele Boch-Bauer I, Klimt

E desenhou até joias.

─ Entendi, mano, o negócio mesmo dele era fazer vestidos e bijus prás dondocas.

─ Minha Jezebel diz que o cara foi também, tipo assim, um dizainer... se pronuncia assim... dizainer... Um dizainer de moda...

─ Que legal! Cara maneiro, esse tal de Klimt. Cheio das artes e manhas. Valeu mesmo.

─ É isso aí, bróder.