René Magritte

(*21/11/1898,Hainaut, Bélgica– †15/08/1967, Bruxelas)

 

3. A Arte das artes

A perspicácia da Arte talvez resida em desvelar, com a Imaginação, a essência que se oculta, fechada como um ovo, na aparência:

Perspicácia, 1936

            Razão tinha Caeiro --- “tristes de nós que trazemos a alma vestida!”

Escancarando os armários interditos da alma, lobrigar, através do véu da fantasia, a nudez ... de  (não da) verdade ... 

Homenagem a Mack Sennett

Buscar, enfim, o além que se inscreve na Vida como invisível epitáfio.

O Além, 1938

  

 

4. Tresleituras

Triste alma vestida, Margrite, assim como Caeiro, não soube ver (ou ler) sem estar a pensar.

De Hegel

As Férias de Hegel, 1958

Coruscante brain storm (em copo d’água sobre guarda-chuva) --- essa sintética visão da Tese/Antítese/ Síntese hegeliana.

 

 De Victor Hugo

A Lenda dos Séculos, 1948

Victor Hugo desejava que sua Legenda dos Séculos fosse outra bíblia para a humanidade. Megalômano, acreditou tê-la escrito ex-cathedra.

Entronado em qual das duas?

 

 De Baudelaire

As Flores do Mal, 1946

Onde o mal de nossos pecados? Na entreaberta rosa ou no entrefechado botão?

 

De Sade

Filosofia de Alcova, 1966

Então não sabes, minha querida Eugénie? O título alude a lições do Marquês de Sade. Esse senhor aqui, cuja filosofia de alcova naturalmente não se dedica a discutir a relação --- e sim a praticá-la.

 

De Goethe

Afinidades Eletivas é um romance, dir-se-ia laboratorial, em que Goethe procurou comprovar, em seres humanos, a lei química de que os opostos se atraem. Afinal, não se diz que o Amor resulta da atração (e eleição) química da pele?

Lê-se, no romance:

“Àqueles na Natureza que, ao se encontrarem, se ligam de imediato, determinando-se mutuamente, chamamos ‘afins’. Nos álcalis e ácidos essa afinidade é bastante evidente; embora sejam opostos e talvez justamente por isso, procuram-se e se agregam  de maneira mais decidida, modificando-se e formando juntos um novo corpo.” (GOETHE, Afinidades Eletivas, 1998a, p. 51)

Afinidades Eletivas, 1933

Alguém ainda duvida que numa imagem possa caber a verborreia de uma biblioteca?