Edvard Munch

Quem tiver a oportunidade de ir a Oslo, deve visitar o Museu Nacional,

com uma sala toda dedicada a Edvard Munch.

Nascido em 12/12/1863 (Loten, Noruega) e falecido em 23/1/1944 (Ekley, perto de Oslo), seus 81 anos vividos foram cercados de doença,

Autorretrato com a gripe espanhola, 1915

 loucura (da irmã), morte (da mãe, tuberculosa, e de outra irmã, quando Munch era jovem).

Morte no quarto doente

A criança doente

Sua dança da vida

Dança da vida

parece uma valsa lenta, dançada por espectros.

Num tal ambiente, natural que seu olhar derrame melancolia,

Melancholy

sem a ingenuidade contemplativa de crianças que, de costas para a realidade, buscam a imagem narcisista dessa mesma realidade:

Meninas na ponte

O amor, sintetizado nesse beijo,

O beijo

suga amantes e identidades, sobrando-lhes apenas a separação melodramática e dolorosa:

Sua visão da mulher (influência do fanatismo religioso do pai luterano?), a um tempo santa e prostituta, pronta a entregar-se em qualquer lugar, relação reduzida a cinzas;

Ashes

vampira, devoradora de homens fracos e acabrunhados,

ou Madonna sedutora, aureolada com o vermelho da paixão, dor e vida, 

toda entregue à ressaca do dia seguinte,

The day after

explica sua misoginia

Assim Munch concebeu sua série “Os Frisos da Vida”, emoldurada de angústia, doença, morte.

Diz-se que foi bipolar.

Não espanta, pois, que seu quadro mais famoso seja O grito, ecoando o dele e nosso

paranoico horror ante a ameaça de céus pressagos e sanguinolentos enquanto atravessamos o curso da vida.