Pablo Ruiz Picasso

*Málaga, 25/10/1881 – † Mougins, 1973

Ao ver o sorriso oblíquo do olhar irônico de Mona Lisa, imagino que ela esteja pensando “Leonardo... Da Vinci... E quem leva a fama é sempre o Picasso...”

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Comece a entender por aí (pelo equívoco da trombeta de uma fama que toa pelo que não soa) por que não morro de amores por todas as invenções pictóricas do Picasso. Ademais, péssimo aluno de geometria, como entender as decomposições e deformações cubistas que ele e Braque se esforçaram por fazer, compondo e decompondo a Natureza e os pobres mortais à medida e desmedida do cilindro, da esfera e do cone de Cézanne.

Amor aos pedaços sujeitos à decomposição só mesmo àqueles esquartejados em Guernica --- e talvez porque suscitem minha (nossa?) franca fúria contra os açougueiros Jack que se escondem sob fardas  (ou ternos). Fico a contemplar Guernica (seja in loco no museu Reina Sofia, seja defronte de um boa reprodução) e não sei por que (míope? astigmático?) leio pictórica cena do Goya.

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---Elementar, meu caro. No canto esquerdo do quadro Guernica, uma vítima de braços abertos, cara voltada para o céu a clamar mudamente por misericórdia, lembra o rebelde que, na tela de Goya, num gesto de inocente crucificado, abre os braços, pronto para ser fuzilado, --- outro Agnus dei imolado no altar da Pátria.

    

--- Nada elementar, meu barato intérprete. Nessas telas, revejo Goya em Picasso ou (eterno retorno de especular História) revejo Picasso em Goya focando um protagonista cuja ausência no quadro é signo do perigo escondido, emboscado. Os autores de Guernica e de Três de maio de 1808 em Madri, meu elementar Watson, não foram Picasso ou Goya. Foram Franco e Napoleão, a exercitarem o pictórico talento anão de Hitler. Por que todo ditador é anão sonhando ser Golias?