Ainda de Picasso, com mulheres ao fundo

Li em algum canto que Picasso devia ter problemas de relacionamento com mulheres. Não obstante --- ou será porque? --- tenha vivido com seis. Por ordem de chegada: Fernande Olivier, Olga Koklova, Marie-Thérèse Walter, Dora Maar, Françoise Gilot e Jacqueline Roque. À minha frente, o retrato de cada uma delas.

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Exceção feita a Olga Koklova, cujo rosto guarda traços de reconhecível beleza, as demais Picasso deformou-as, distorcendo-lhes as feições em monstruosidades geométricas. O pincel desfigura-as em navalhadas de amante ciumento; não vá nosso olhar descortinar a beleza que ele deseja ter apenas para si, que só ele sabe e pode contemplar.

Picasso como um Édipo que não soube decifrar o enigma de suas esfinges é o que me sugere o óleo sobre tela de Jacqueline de mãos cruzadas (1954). Sentada no chão, a abraçar as pernas de encontro ao peito, o perfil do rosto assentado na longa coluna de um pescoço à Modigliani, Jacqueline Roque lembra-me, pétrea, esfíngica, uma carranca à soleira da porta, guardiã dos maus olhados que lancemos sobre seu amado Picasso.

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