Quixotes

Em novembro de 2015, mais precisamente 26/11/15, domingo, última apresentação da temporada, Flavia e eu fomos assistir a O Sonho de Dom Quixote, coreografia de Márcia Haydée para a São Paulo Companhia de Dança,

 inspirada no álbum:

O espetáculo levou-me a pensar por que razão Quixote ficou conhecido como O Cavaleiro da Triste Figura. Por sonhar?

Porque, insatisfeito com a realidade circundante, nutriu o sonho (quixotesco, passe o pleonasmo) de reformá-la, trocando a realidade pela ficção, nostálgica reminiscência de uma utopia ─ quando, onde?

A mente perturbada de Quixote, Gustave Doré

Então, todos os insatisfeitos com a realidade somos Cavaleiros da Triste Figura, desejosos de viver pela ficção uma vida vicária, feita à imagem de nosso sonho desgrenhado,

Quixote, Portinari

povoado por aventuras nascidas de nosso cérebro delirante?

Quixote e seus sonhos persecutórios, Gustave Doré

Quantos moinhos de vento, esses que nos trituram como todos fôssemos farinha do mesmo saco, teremos de combater?

D. Quixote lutando contra os moinhos de vento, Gustave Doré

Quantas ovelhas cabe-nos sacrificar no altar de nossos sonhos?

Portinari

Quantas Lorenzas del Toboso, alcandoradas em Dulcinéias, haveremos que resgatar de nosso engano?

Aí ficam essas Pinceladas eivadas de dúvidas.

Quem já tiver as respostas, parabéns. Quem não, aguarde o bom senso estomacal do fiel escudeiro Sancho Pança.

Portinari

Quem sabe ele venha revelar, à Goya, que nossos sonhos só despertam pesadelos monstruosos em nossa razão adormecida.

Caprichos, Goya