Norman Rockwell

(*Nova York, 3/2/1894 – † Stockbridge, Massachusetts, 8/11/1978)

1. O róseo american way of life

Sem o menor esforço, pretensão ou intelectualismo (ao contrário de Pollock), Rockwell soube captar a alma e o inconsciente coletivo do americano médio. Esteve sempre à flor da pele dos sonhos americanos.

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A tonalidade cor-de-rosa que imprimiu ao american way of life não o impediu, contudo, de vê-la criticamente. Com terno olhar e irônica jovialidade. De modo que suas reprimendas soavam como amorosas broncas paternais.

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Com que bonomia irônica (estampada na cara do dono-garçon-balconista) Rockwell dá-nos a medida da infantilidade aventureira de arroubos que, surdos aos conselhos da autoridade ou experiência, acham que podem dar passos maiores que suas curtíssimas pernas.

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--- Espelho, espelho meu, quando menina e moça, a Jane Russell teve as mesmas dúvidas que eu?

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Ora, ler Saturday Evening Post revela a beleza da alma de qualquer adolescente mal- ajambrada.

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Três? É demais essa ménage a trois... temps.

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Um caminhão de mudanças. Com as boas vindas ao democrático sonho Americano da integração racial. Afinal,

rockwell_time_greatness.jpg (28811 bytes) tratava-se do sonho de um tempo de grandeza, palanque do discurso de John

 Kennedy.

 

2. As quatro liberdades

Roosevelt e Churchill na Carta do Atlântico, em agosto de 1941, estabeleceram as quatro liberdades fundamentais dos direitos humanos. Liberdades que, devendo presidir a uma ordem mundial justa no pós-guerra, bem seriam passagem e passaporte para utopias cujo aceno e apelo paradisíacos poderiam servir de fuga e remédio para a Depressão que engaiolara meio mundo.

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Rockwell aderiu ao ideário da quádrupla liberdade. Escoteiro sempre alerta e leal às crenças da Nação, de que se considerava herdeiro, rockwell_our_heritage.jpg (54326 bytes)

saiu, País afora, oferecendo gratuitamente seus cartazes aos órgãos militares de propaganda. Que simplesmente recusaram seu engajamento. Críticos de arte, connoisseurs de alto coturno, os militares, enquadrados na obesidade do ego, rockwell_framed.jpg (1543062 bytes)

 queriam, pintando as Liberdades de Roosevelt, verdadeiros artistas e não reles ilustradores da imprensa ou da propaganda.

O Saturday Evening Post comprou a idéia de Rockwell e imprimiu-a. O sonho do american way of life vinha sobre quatro pedestais:

rockwell_freedom_speech.jpg (140403 bytes)       liberdade de expressão

(com um discurso que esteja à altura...);

        rockwell_freedom_worship.jpg (168818 bytes)     liberdade de culto

(ser cada um fiel a seu Deus --- ou só Deus é fiel?);

        rockwell_freedom_want.jpg (1192286 bytes)     livre de necessidades

(que a vida seja um prato cheio de bênçãos);

rockwell_freedom_fear.jpg (84801 bytes)     por fim, livre de temores, descansem em paz!

Entende-se facilmente por que Norman Rockwell foi o mais amado e popular ilustrador dos Estados Unidos.

 

3. O clik e o olho  

 Já disse que, embora cercado, no ateliê, de reproduções fotográficas, fossem artísticas ou meramente jornalísticas, que o inspiravam e instigavam, para Francis Bacon a fotografia era o instantâneo da epiderme, o zoom da superfície, a hipocrisia dum espelho. Incapaz, portanto, de reproduzir a verdadeira realidade.

Norman Rockwell também fazia uso da fotografia para esboços e modelos. Mas seu problema era saber qual mais fiel à realidade: a foto ou seus quadros?

rockwell_april_fool.jpg (201498 bytes) April Fool: Girl with Shopkeeper, Norman Rockwell, 1948

Ademais, onde o engano de primeiro de abril: na arte que espelha a realidade ou na realidade que espelha a arte?