Outro Pablo, o Rubens, também com mulheres ao fundo

*Siegen (Alemanha), 28/6/1577 – † Antuérpia, 30/5/ 1640.

No auto-retrato de 1640, Rubens fita-nos com olhar oblíquo. Pena, para a frase de efeito, não possa dizer que, além de oblíquo, seu olhar é dissimulado, capitoso e capitolino.

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Sob as pálpebras pesadas, olha-nos enviesado, severo, talvez a medir o tamanho de nossa pudicícia. Afinal, para ele, toda e qualquer nudez nunca será castigada. Pintava-a com o despudor barroco da adâmica inocência.

Seu pincel (brocha, na Espanha a que serviu), talvez feito com folhas de parreira, coroava sátiros rubens_satiros.jpg (165950 bytes),

saudando efusivamente o porre homérico de Hércules rubens_hercules.jpg (57867 bytes),

a dizer-nos que a união da terra e da água rubens_terra.jpg (178325 bytes),

nas quatro partes do mundo rubens_quatro.jpg (166669 bytes),

tudo não passava de grande e festivo bacanal rubens_bacanal.jpg (51418 bytes).

Barroco até às vísceras, desnudava o revestimento corpóreo de nossa alma, a mostrar-lhe a carnadura, nervos, músculos e até as banhas. Que ninguém é de ferro nem vive a jejuar ou malhar em academias, não é mesmo, Baco?

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Carnalizou o espírito, mostrando que a Vida, retratada em Vênus e Adonis  Rubens_Venus.jpg (150664 bytes),

não passa da luta entre os enleios do Amor e a caça que a Morte, essa predadora voraz, nos promove. Vejo nessa tela, nos esforços de Vênus e Cupido tentando deter e enlear Adônis,  o Amor a querer eternizar-se pela Vida. Quando eterna, para nós, pobres e incrédulos mortais, só a Morte: ânsia e raiva caninas a lembrar-nos, à esquerda do quadro, que tardamos em segui-La.

Não é mesmo, Adônis?