Velázquez, inesgotável

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Um adolescente, um homem de meia idade, um velho. Três tempos, três idades ---  oferecidos, como enigma esfíngico, à nossa decifração de Édipos desmamados por Freud.

E, sobretudo, atraindo o olhar, dois cântaros. Inesgotáveis de saber e sabor.

O aguadeiro, idoso, serve ao rapaz uma taça de água em que se sentem o olor e o gosto de um figo.

Murmuro arroio sua voz. Já a beber-lhe os ensinamentos, ouço o Velho dizendo ao Jovem:

--- O Amor, meu rapaz, é cântaro cheio de mútua sede.