Gustav Vigeland

(1869-1943)

Oslo é uma capital bipolar. A um sol radioso, de repente, o tempo muda de cara e desaba um pé-d’água, que passa incólume a capa e guarda-chuva, capaz de nos molhar até aos ossos.

Natural que, bipolar, Oslo tenha como seus dois maiores artistas, um soturno, Munch, outro solar, Vigeland.

Quem for a Oslo não pode deixar de visitar o Parque Vigeland. Em 32 hectares erguem-se 214 esculturas com 758 figuras esculpidas por Gustav Vigeland.

Nele, Vigeland ergue um hino triunfalmente fálico à vida,

ao amor,

à árvore da vida,

árvore que naturalmente traz em sua raiz a semente da morte, da decadência física:

A puberdade,

a maternidade e a paternidade

são uma oferenda à vida,

 

pela qual Vigeland vai-nos conduzindo.

Um malabarismo a paternidade prolífica?

Burra de carga a mãe? Gata protetora da ninhada?

Comovente a trajetória que Vigeland nos faz percorrer ao longo da vida. Desde a meninice birrenta

ao namoro,

 

à dependência da mãe, cuja velhice pende agora da boa vontade solidária do filho cujo olhar distante faz ouvidos de mercador ao apelo (qual?) que ela lhe faz,

 à velhice cujas mãos de pergaminho vão nos afastando da vida por mais que não queiramos,

 

à morte que, ingrata e inexorável, põe fim a anos e anos de carinho e amor:

Queiramos ou não, somos elo na engrenagem da vida com a função de fazê-la girar.

Do amor, que une e dá vida, à morte, que separa:

Nada escapa à perspicácia de Vigeland.

Podemos cair na vida, mas, ainda bem, temos a solidariedade que nos ajuda a levantar:

Mas não esqueçamos de que, por mais fracos que sejamos, por mais tombos que levemos, ainda somos atlas irmanados a sustentar a fonte da vida,

com a qual abrimos e fechamos o périplo da existência e dessa visita ao Parque Vigeland.